|
TRILHA - São João em Serra Grande / BA – 22 a 25/06/2009(Texto: Itana Mangieri) Itana: - Lu, Dimi convidou pra passar o São João no sítio, mas eu só posso ir se for na segunda-feira depois do almoço e eu não to a fim de ir sozinha – 450 Km é muito longe...Lu: - Zena e Sophia vão viajar e se eu ficar aqui vou ficar sozinha, então vamos juntas.Itana: - Você sabe o caminho ? Vamos pela BR 101 ou pelo Ferry-boat ?Lu: - Vamos pela BR101 pois a fila do Ferry vai nos atrasar muito. Eu fui em Maio da ultima vez para Itacaré e sei o caminho.Itana: - Então tá ! Na segunda a tarde eu te pego na casinha de Pituaçu e seguimos. Lá vem a segunda-feira ...15 hs liguei pra Lu e avisei que estava liberada e indo buscá-la. Arrumamos as malas, as bikes e o kit-Lu no carro (Obs: Kit-Lu = caixinha de isopor com algumas latinhas de cerveja geladas).16:10 hs saímos rumo ao nosso São João no sul da Bahia. Na BR324 sentido Feira de Santana estava tudo bem até que o trânsito parou próximo de Candeias. Respirei fundo e lembrei do engarrafamento no São João do ano passado onde no trecho Salvador X Feira de Santana levou-se 8 horas para completar os 100Km iniciais. Mas devagarinho, andava-se. Fomos conversando no carro, ouvindo música e eu questionando Lu por não ter colocado umas latinhas de coca-cola pra mim no isopor, mas ela prometeu que a cada cerveja que tomasse, sobraria uma “vaga” para que, no primeiro posto, ela completasse com minha coca-cola. Comentou também sobre comprar alguns artesanatos na estrada na volta e um conjunto de mesa e cadeirinhas dobráveis, blá blá blá blá ....... e, nisso anoiteceu !Quando pegamos, à direita, na entrada para a BR 101, Lu falou: - “Siga em frente. A vida toda”.Eu: - Mas Lu, eu acho que temos que fazer o primeiro retorno.Lu: - “Nada disso. Eu conheço o caminho. Passei aqui em Maio. Siga em frente a vida toda”.E eu segui. Começou a chover, estrada esburacada, muitos caminhões e, depois de uns 50Km começaram as placas de Aracaju e Alagoinhas. Uma, duas (hummmm....) e na terceira eu disse: - Lu, nós estamos indo para o norte e Serra Grande é no sul da Bahia. Essa cidade aí na nossa frente é Alagoinhas.Lu – “Imagina !”Aí eu apontei a placa à sua direita: “Bem vindo à Alagoinhas”.............. (sic ! momento de silêncio fúnebre) ... Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ... Tivemos uma crise de risos e lágrimas.Seguimos adiante até o primeiro posto de gasolina da cidade para fazer xixi, reabastecer e comprar a minha coca-cola ... kkkkkk.E a parada foi divertidíssima. Estacionamos ao lado de uma Van preta com insulfilme escuro, desenhada com labaredas amarelas e decorada com bonecos, baratas, ratos e com adesivos curiosos como: “faço sexo de graça” (e com o telefone do proprietário) / “te vejo no inferno”, etc. Nesse momento, todos os curiosos fotografavam a Van enquanto o proprietário estava no banheiro raspando o cabelo (??? ... rsrs). Não tivemos a surpresa de conhecê-lo, mas fomos pedir a um caminhoneiro que nos deixasse fotografar seu caminhão, pois era do sul do Brasil com o sobrenome de Zena desenhado na boléia – TOMIO!.Liguei para Dimi para avisar que nos atrasaríamos e o mesmo não acreditava no nosso “desvio” e ainda nos chamou de loucas. Depois ligou pra Lu preocupado porque nós íamos chegar tarde e estava preocupado porque eu sou dorminhoca e ele achava que eu podia dormir no volante (... rrrrrr ... não gosto que me desafiem ... rsrs ... além do mais, eu já tinha me prevenido levando chicletes ardidos de menta para mastigar na estrada e espantar meu sono).Retornamos, agora no sentido correto, rindo feito duas babacas e planejando comprar um GPS.A viagem foi tranqüila, mesmo com Lu implicando porque chamei o segurança de um posto de gasolina, onde paramos para fazer xixi, de “tio”, pois ela acha isso uma ofensa e coisa de gente careta do nordeste. Chegamos no sítio + ou – 2:30hs da madrugada. Como Dimi abriu um restaurante no sítio, logo na entrada haviam plaquinhas dos pratos do cardápio: muqueca, catado de siri, aratu, lagosta, etc ... Lu logo se empolgou com água na boca e eu pensei: “ Nossa ! Eu dormi mesmo no volante pois já estou sonhando com comida!”. Estacionei e ela não queria que eu buzinasse para não acordar o caseiro e nem Dimi (???) ... Mas como ? Ainda mais com um dos cachorros de Dimitri latindo pra nós ao lado do carro. Dessa vez uma PittBull branca !!! Então, como nenhuma das duas ia encarar a pittbull, dei uma buzinadinha de leve e Dimi veio nos receber junto com Cris. Torto de sono e de cueca ... kkkk. Nos cumprimentamos e fui logo me acomodando numa cama, pois a sensação sono era a de ter mastigado o chiclete de menta com as pálpebras ! As 7hs Dimitri nos acordou, tomamos café e fomos pedalar eu, Lu, Dimi e Cris. Deixamos o carro lá em Serra Grande e seguimos pela nova trilha-tour tão anunciada que Dimi preparou para recepcionar os amigos. Não posso deixar de mencionar que ele é nosso ciclo-bandeirante, pois abrir trilhas ciclísticas é uma especialidade nata dele. Adentramos por sítios e mirantes com paisagens deslumbrantes (a perder de vista) mesmo com o tempo meio nublado. Toda hora ele dizia que a trilha era light ... com subidas por singles tracks de até 45 graus, de mata fechada e escorregadia por causa da chuva inicial ... ele só esqueceu de dizer que era “light” para os Dino-Bikers ... rsrs, mas que vale a pena, mesmo no estilo Jabuti ou Empurra-bike ... hehehe. Adentramos a Reserva do Conduru já debaixo de chuva, com lama e o cheiro forte de mato purificando nossos poluídos pulmões urbanos ... Ainda fomos conhecer um sítio onde os proprietários criam um caititú (espécie de porco-espinho do mato) solto no quintal. Ele é até bem sociável e curioso com seus novatos admiradores ! Em seguida ainda encontramos alguns cachorros no caminho que não mediram esforços nem timidez para brincarem conosco !E para terminar a trilha-tour de Dimitri não poderíamos deixar de parar no mirante da ladeira de Serra Grande, mesmo debaixo de chuva, para registrarmos nossa foto dos 4 porquinhos ecológicos – estávamos elameados até a alma!Finalizada esta trilha-show, eu e Lu paramos num posto de gasolina para abastecer e os frentistas ficaram curiosos com a aparência de duas pessoas enlameadas dentro do carro (???). Na descida da ladeira, resolvemos passar na Cabana da Empada, pois a fome deu sinais estomacais de broca (hehe). Ao entrarmos, dois clientes arregalaram os olhos assustados. Já fui logo alertando:- Calma ! Não é nada disso que estão imaginando. Não somos mendigas. Só estamos sujas de lama !Eles riram e Lu já foi logo pedindo sua gelada e eu escolhendo o sabor da empada no cardápio. Um dos clientes ainda bateu um papinho rápido e simpático conosco e foi embora e nós continuamos saboreando as deliciosas empadas. Por coincidência, na semana passada, saiu uma matéria sobre a Cabana da Empada de Serra Grande na revista Muito de Salvador. No Brasil, não sei por falta de “provas” ... rsrs, mas aqui na Bahia não existe empadinhas mais gostosas que essas !Retornamos para o Sítio Paraíso para um banho. Dimi já estava lavando as bikes e Cris na organização da festa junina (eu já vi mulheres trabalharem sem parar, mas esta Cris ... estou pra ver igual ... ela parece ter rodinhas no pé e energia vazando).Enquanto isso, Lu resolveu soltar a jornalista encubada dentro dela e saiu pelo sítio filmando e relatando todas as atividades para a preparação da festa e a beleza do sítio. Já no finzinho da tarde fomos para a praia brincar e fazer um pega na água com Pitty (bull).Com tudo já preparado para a festa, noite estrelada e fogueira acesa, aguardávamos a chegada dos convidados. Como Itacaré e Serra Grande é uma região de muitos estrangeiros, a festa não podia deixar de ter nacionalidades variadas. Foi o São João mais internacional que já presenciamos ... rsrs pois haviam pessoas de vários cantos do mundo. Devido também ao mestre de capoeira Cabelo, que viaja por vários países ensinando esta arte e mantém em seu sítio um sistema de intercâmbio cultural com imersão em capoeira. Também teve a apresentação de seu grupo Trovão. Por um momento, pensei estar no meio da Praça da Apoteose no Rio de Janeiro com aquela batucada conquistando e mexendo com nossos rebolados ... mas retornei à realidade quando vi Lu ensinando o americano Jordan a pronunciar palavrões e ele se esforçando para pronunciar corretamente.(gritei) - No Jordan ! That is not correct. That's bad language and she´s crazy.No dia seguinte organizamos tudo e fomos para a praia para assistir e fotografar o tradicional “Bába” de futebol de São João. A diferença é que todos os jogadores trocam as bermudas e camisetas por mini-saias e tops decotados. Uma “gracinha” hehe. Depois eu, Lu, Cris, Nick e Dimi fomos dar um passeio para conhecer a vizinhança como o energético sítio da Sol e do Gil (Solange, uma sulista e professora de natação que mora naquela região. Uma casa simpaticíssima ao lado de uma lagoa onde pudemos tomar um banho de cascata gelaaaaaado para espantar a preguiça do feriado. Lu, com seu horto-radar, avistou mudas de coqueiro anão e foi logo colocando uma no carro. Depois fomos conhecer o sítio do mestre capoeirista Cabelo. Um sítio dos sonhos. Um Éden! Com lagos, gansos, gramados, coqueiros, cachorros, quiosque para aulas de capoeira, muito verde e uma cozinha externa imensa com fogão e forno a lenha onde fomos convidados para um chá de cidreira. No caminho da cozinha atravessamos um viveiro de mudas. Olhei para Lu e avisei:- Contenha-se, por favor !No retorno, ela não resistiu, mas desta vez pediu ao dono uma muda de pitangueira a qual foi prontamente atendida ! E enquanto ela acomodava a muda de quase um metro no carro, eu corria de um carreirão dos gansos! rsrsVoltamos para Serra Grande para tomar um açaí na praça e para um papo rápido com o casal Sol e Gil. Depois retornamos para o sítio já a noitinha para nos preparar para a viagem de volta à Salvador.As 5 hs da quinta-feira retornamos para Salvador. Desta vez com a companhia de Nick, filha de Cris, nossa daliti!. Paramos no restaurante Natureza Viva para tomarmos sucos e misto de queijo com banana e, em Santo Antônio de Jesus paramos na estrada para comprar artesanato. Enquanto eu escolhia uma panela de barro para fazer moquecas, Lu apertava a protuberante barriga de banha do simpático vendedor e lotava o carro com peças artesanais de cipó fazendo de Nick uma sardinha enlatada durante o restante da nossa viagem!Tudo bem que eu implico com as maluquices de Lu e do Garoto Enxaqueca (Dimi), mas assumo minhas rabugices ... rsrs. É respeitando as diferenças que mantemos nossos amigos e amores além, dos desvios nos nossos objetivos ... mesmo indo para o Sul da Bahia via Alagoinhas/Aracaju ... “a vida tôda” ! Kkkk. Itaninha
|