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Voce sabe mesmo limpar a corrente?

Limpeza da corrente

Por Marcos Adami

Manter a corrente, o cassete e as coroas limpas é um pré-requisito essencial para

 que todo o conjunto de transmissão funcione bem e, mais que isso, dure bem mais.

 Uma transmissão bem limpa e lubrificada chega a durar até 30% a mais.

Limpeza nesse caso é sinônimo de economia. Uma corrente limpa também

 trabalha de forma mais silenciosa e precisa.Mas, você sabe mesmo como que

 se limpa e lubrifica o sistema de transmissão corretamente?

A corrente e os demais componentes da transmissão devem ficar absolutamente limpos.

VOCÊ VAI PRECISAR DE:
- Desengraxante (pode ser querosene, diesel ou desengraxantes cítricos);
- Pincel e/ou escova de dentes;
- Sabão em pó;
- Lubrificante para correntes de boa qualidade (Finish Line, Pedro’s ou similar importado);
- Água limpa à vontade;
- Pincel atômico (opcional).

A LAVAGEM

O primeiro passo é lavar bem todo o sistema de transmissão, que inclui além

da corrente, as coroas, o cassete (as catracas) e os dois câmbios.

A limpeza deve começar com a aplicação do desengraxante com um pincel por todo

 o sistema de transmissão.

Esfregue bem a corrente com a escova de dentes, elo por elo, cuidadosamente.

 Limpe também o cassete, as coroas e as roldanas do câmbio traseiro.

Enxágüe com bastante água corrente

 e repita novamente a operação. Meticulosamente.

Enxágüe tudo de novo e agora prepare uma solução de sabão em pó

 com água em um balde. Um punhado de sabão com uns dois litros d’água é o bastante.

Aplique esta solução com o pincel por todo o sistema. Com a escova de

 dentes esfregue elo por elo da corrente.

Capriche no cassete e nas roldanas do câmbio traseiro.

Espere o sabão agir por uns 10 minutos e enxágüe tudo novamente.

Segure em dois pontos da corrente – distante uns 15 cm um do outro –

 e torça-a levemente com os dedos.

A corrente estará absolutamente limpa quando você não sentir nenhum

 atrito de sujeira entre as partes da corrente.

A sensação deve ser a de “metal esfregando contra metal”, só assim a corrente estará

 bem limpinha e pronta para receber a lubrificação final.

Dica: existem ferramentas especiais para a limpeza de corrente que evitam sujeira.

O modelo Ice Toolz (foto)

custa pouco mais de R$ 30 e é bastante prático.

Deixe a bike secar naturalmente ao sol (cuidado para não deixar muito tempo exposta,

 especialmente se o quadro for de fibra de carbono) ou use ar comprimido diretamente

 na transmissão para acelerar a secagem.

Depois de completamente seca, é a hora da lubrificação. Que também tem seus segredinhos.

 Um corrente é formada pela placa exterior, placa interior, rebite (ou pino) e pela anilha,

 que é um anel que trabalha solto envolvendo o pino.

Quando lubrificamos a corrente queremos na realidade que a película de óleo lubrifique as partes

metálicas que atritam entre si. A anilha, além de atritar em seu interior com o pino,

 atrita em sua parte exterior (o lado de fora da anilha) com os dentes das engrenagens

 (coroas e cassete).O segredo está em lubrificarmos da forma mais eficiente

 possível as partes que entram em contato metal-metal.

LUBRIFICAÇÃO

É recomendado o uso de óleo especial para correntes de bicicletas. Há várias marcas importadas no mercado

(Pedros, Rock “N” Roll etc..), entretanto, no Brasil a marca mais comum é a norte-americana Finish Line.

O problema em usar óleo do tipo doméstico “Singer” é que ele não adere bem à corrente e escorre na primeira pedalada.

 Só fica a sujeira, e que sujeira. A vantagem dos lubrificantes especiais para correntes de bicicleta é a limpeza,

a boa aderência à corrente e a viscosidade correta para este uso específico.

PASSO A PASSO DA LUBRIFICAÇÃO:

1- Coloque na coroa menor, ou coroa do meio nas mountain bikes, e em alguma marcha intermediária no cassete.

2- Com o pincel atômico, pinte a lateral de um dos elos da corrente para servir de marcação.

3- Comece a lubrificação pelo elo marcado. DICA: Comece a lubrificar pela parte inferior da corrente,

a que está mais próxima ao chão. Isto é importante para que a película de óleo escorra para “dentro” da corrente.

 Vá girando o pedal e lubrificando parte por parte da corrente.

4- Uma mínima quantidade de óleo deve ser aplicado, elo por elo. Na medida do possível, deixe cair apenas 1/3 de uma gota.

A embalagem dos lubrificantes importados, como o Finish Line, facilitam essa operação. Isso é importante para manter

 a corrente sempre limpa. Quanto mais óleo, mais sujeira será atraída para grudar na transmissão.

Foto: www.bikeradar.com

5- A aplicação do óleo deve ser feita no sentido transversal à corrente, ou seja, a película de óleo deve se instalar

entre as placas externas e internas e escorrer para dentro da anilha. Faça com que o óleo entre pelas frestas marcadas na foto ao lado.

DICA: Após lubrificar cada setor segure em dois pontos da corrente e torça-a levemente, várias vezes.

 Esse movimento vai permitir que o óleo escorra para dentro das anilhas.

6- Terminada a lubrificação da corrente, deite a bike e lubrifique também a parte interna das roldanas do câmbio traseiro.

Aplique o óleo nas frestas do eixo das roldanas, que ele vai escorrer para dentro e lubrificar as esferas.

7- Lubrifique também todos os pontos que têm movimento no câmbio dianteiro e traseiro como eixos e pivôs.

Se preferir, use outro óleo mais barato. Até mesmo o Singer vai bem nesse caso.

MANUTENÇÃO PERIÓDICA

Com a corrente bem limpa e lubrificada, você vai notar uma película úmida de óleo sobre a corrente.

Quando essa película der lugar a um brilho metálico, é sinal que está na hora de nova aplicação de óleo.

Sempre que voltar de uma pedalada examine o estado da corrente. Se os elos se apresentarem secos e com brilho metálico,

é sinal que ela precisa de uma nova aplicação de lubrificante. Limpe a corrente com um pano seco e aplique o lubrificante,

 como descrito nos passos 3 a 6. As roldanas e os pivôs de câmbio levam mais tempo para perder a lubrificação.

A periodicidade da reaplicação do óleo vai depender muito das condições do piso onde você rodou.

Use o bom senso e verifique de perto a condição da corrente. Estradas de terra com lama “lavam”

 a lubrificação logo nos primeiro metros. Já uma bike de ciclismo que roda em uma estrada de asfalto seca terá maior durabilidade da lubrificação.

Quando você notar que o pano seco não é o suficiente para remover a sujeira e deixar a corrente limpa,

é hora de “trocar o óleo da corrente”, ou seja: fazer toda a limpeza completa descrita acima, com querosene,

sabão em pó etc… Novamente, é o estado da corrente que vai determinar o momento exato de se fazer

a nova limpeza completa. O período vai variar. Quem roda em asfalto limpo é uma coisa, quem roda na lama

com uma mountain bike é outra. Use o bom senso.

DICA: Em pedaladas longas (80 km de estrada ou 50 km de mountain bike) leve sempre com você uma embalagem com óleo.

 Se notar que a corrente começou a fazer barulho e o brilho metálico reapareceu é sinal que é hora de parar e replicar o lubrificante.

Uma embalagem pequena de “Novalgina” (15 ml) é uma excelente embalagem para levar o óleo em uma pedalada.

Alguns atletas de mountain bike costumam improvisar uma seringa hipodérmica como aplicador de óleo,

 que pode ser acionada com a bike em movimento, para disputar provas longas como a Volta a SC em MTB, Cerapió e outras.

LUBRIFICANTES

O lubrificante nacional Pró Bike não deixa nada a dever em relação aos importados. com um preço até 35% inferior,

ele é o primeiro lubrificante do País a usar silicone importado em sua fórmula.

Seus aditivos garantem excelente duração, maior que a dos similares importados. Serve tanto para clima seco quanto chuvoso.

A famosa Finish Line fabrica três diferentes tipos de lubrificantes que têm aplicações distintas:

Cross Country

Mais usado no mountain bike. Este óleo sintético suporta bem terrenos molhados e lama.

 Tem aditivos anti-desgaste e anti-fricção. Dura mais na corrente por ser mais viscoso.

Teflon Plus

À base de teflon, ele é mais seco que o cross country, por isso é o preferido por ciclistas de speed e

 mountain bikes que rodam majoritariamente no asfalto. É mais limpo que o Cross Country.

Kry Tech

Feito à base de um produto da Du Pont chamado Krytox, que é um filme lubrificante à base de parafina.

 Mantém a corrente limpa por mais tempo e reduz os ruídos, mas dura bem menos na corrente pois é muito fino e volátil.

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