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Tribuna da Bahia - sobre o Projeto Cicloviário

Cidade
Projeto de sistema cicloviário é apresentado na Câmara
 

Publicada: 27/07/2011 00:50| Atualizada: 27/07/2011 00:14

Thiago Pereira

Considerado uma solução barata e eficaz para os problemas de mobilidade urbana em Salvador, o projeto do sistema cicloviário da capital baiana foi apresentado oficialmente à Câmara Municipal da capital baiana na manhã de ontem, em sessão especial realizada no plenário Cosme de Farias.

Conforme esta Tribuna antecipou com exclusividade, o plano foi desenvolvido pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) e prevê a construção de 188 quilômetros de ciclovias e demais estruturas próprias para bicicletas até 2014, ano em que a cidade sediará jogos da Copa do Mundo.

Durante a sessão especial, o coordenador do projeto Cidade Bicicleta, Itamar Kalil, apresentou detalhes do sistema cicloviário. Um dos pontos de maior destaque, para tranquilidade dos motoristas soteropolitanos, é que a implantação das ciclovias não implicará na redução do número de faixas nas vias da cidade.

Segundo Kalil, em algumas regiões, como na Avenida Luiz Viana Filho (Paralela), as áreas destinadas a bicicletas serão construídas no canteiro central. Em outras localidades, como nas Avenidas Garibaldi e Luís Eduardo Magalhães, a pista será estreitada, mas a quantidade de faixas permanecerá inalterada.

Autor da Lei Nº 8.040/2011, que instituiu as diretrizes para a implantação do sistema cicloviário na capital baiana, o vereador Gilmar Santiago (PT) elogiou o projeto desenvolvido pela Conder.

“A implantação de ciclovias na cidade é muito importante no sentido em que insere a bicicleta como um modal de transporte para os cidadãos soteropolitanos. A ideia agora é trazer a prefeitura, o Estado e a população para aperfeiçoar o sistema. Fortalecer o meio cicloviário e, como consequência, desafogar o já desgastado trânsito de Salvador”.

Santiago também salientou os benefícios do sistema cicloviário, classificado como um meio de transporte não poluente, que evita engarrafamentos, diminui os acidentes com vítimas no trânsito e proporciona melhores condições de saúde para a população em geral.

“Esta é uma das melhores alternativas, que se soma a outras iniciativas para enfrentarmos o caos no trânsito de Salvador. A mobilidade sustentável busca estratégias inovadoras que favoreçam o acesso de pessoas, bens e serviços aos seus destinos com menor impacto ambiental, econômico e social”, declarou o vereador.

A vereadora Vânia Galvão (PT), que também esteve presente à sessão especial, foi outra que enalteceu o plano proposto pela Conder. “Toda e qualquer iniciativa que venha garantir uma boa circulação para a cidade é positiva. Acho essencial a construção de um sistema cicloviário em Salvador. As vias que nós temos já não comportam o tráfego de veículos e uma nova opção vai garantir a melhoria da qualidade de vida e também dinamizar a rotina do soteropolitano”, disse.

Orçado em R$ 40 milhões, o projeto prevê a instalação da malha cicloviária na capital em três etapas: da orla marítima até Lauro de Freitas, no Centro Histórico de Salvador e da Paralela até o Centro. As ciclovias serão interligadas com os demais meios de transporte da capital baiana, como o Terminal Marítimo, as estações de metrô e os pontos de ônibus. A expectativa da Conder é de que as obras saiam do papel no início de 2012 e fiquem prontas em dois anos.

População desconfiada

Apesar de agradar, o projeto que prevê a construção de uma rede de ciclovias em Salvador provocou desconfiança em parte da população soteropolitana. O medo é que, mesmo prometido para 2014, o projeto se arraste por anos e consuma recursos que não estavam previstos, como ocorre com o metrô da capital baiana.

“É uma ótima proposta. Mas quem me garante que vai mesmo sair do papel? Já vi várias coisas serem prometidas para a cidade, mas ficam só da boca pra fora. Pelo bem da cidade, espero que a ciclovia se concretize”, disse o universitário Fernando Ulisses.

Para Vânia Galvão, a sociedade aprendeu a desconfiar dos projetos desenvolvidos pelo poder público em virtude de vícios e erros cometidos em obras implementadas no passado. “O descrédito da população vem de projetos que tiveram erros desde o início, como o metrô, que já está há mais de dez anos em construção e ainda não está em funcionamento. No primeiro plano, as estações não tinham sanitário e os trilhos não tinham escoamento de água da chuva.

Isso precisou ser revisto e consumiu tempo e dinheiro. Para evitar que isso ocorra de novo, é preciso fiscalização, o que faremos daqui da Câmara. Mas é fundamental também que a sociedade cobre e acompanhe o desenrolar do projeto para que ele fique pronto no prazo e não desperdice o erário público”, pontuou.

Fonte: http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=88847

 
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