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Quem me dera..

Quem diria que foi ontem que comecei a me preparar para esses instantes d prazer com voces.

Tinha  apenas 06 anos de idade e saia por um longo trecho a pé, fugindo com algum garoto da rua que me incentivava a ir atravessar o túnel para o outro lado onde existia a única loja de bicicletas, do Beto, para alugar uma com uma moedinha, isso tudo na Avenida Romão, no Garcia, onde nasci e cresci, no barro, jogando bola de gude, infinco, empinando arraia, gostava de baleado, batendo e apanhando dos meninos, colocando outros pra brigar, que também fazia brigar entre as formigas de mandioca...

E nisso tudo aprendi me ralando toda e feliz a dar minhas primeiras pedaladas, tudo escondido da minha mãe e principalmente de alguns irmãos  que se metiam em meu caminho...Mas tudo querido...

Minha primeira bicicleta foi comprada pelo meu pai, que me dava forças, depois de perceber que não ia ter jeito mesmo. Naquela época era difícil uma menina ter uma bicicleta, existia um certo preconceito por conta do “coxim”... que hoje se chama “selim”. Tenho exemplos vivos de amigas que não sabem pedalar e se sentem frustradas...

 

A minha primeira bicicleta era a famosa e linda Tigrão, toda vermelha.

Daí em diante não parou mais, acabava uma, vinha outra, foi Monareta, Berlineta, a famosa bicicleta “Águia de Ouro da Monark” que resiste até hoje batizada de Barra Forte, e é mesmo, pra agüentar o tranco dos pedalantes de plantão, que utilizam a dita cuja pro trabalho e lazer, sobe ladeira  sem marcha, realmente acho que é a bicicleta do homem machoqueémacho, porque ela não te facilita em termos de uso da força, não é prá qualquer um e mesmo assim temos amigos de bike que pedalam com a poderosa e não deixam a desejar em nada...Ainda não vi o comportamento dela em trilha nos acompanhando, porém já vi várias pelos caminhos das trilhas das áreas rurais em que entramos. Eita bike danada, que em tudo quanto é canto está.

Ela era tão cobiçada que naquela época, isso nos meados dos anos 60, lá pelos 1967 da vida, já existia a malandragem de olho na bichinha, pois arrombaram a minha casa pra levar minha preciosidade. Meu pai providenciou outra novinha, santo pai!

O prazer, o sentimento de felicidade de receber um presente, como uma bicicleta, pra mim era muito diferente do que receber um presente tipo uma boneca, é indescritível.

 

Nunca mais parei de sair por ai pedalando, adorava essa atividade e o fazia sozinha, sempre, o Alexandre que o diga, que foi o primeiro do Grupo Farol Light Bikers a me conhecer e tentar me convencer a pedalar com o grupo que saia sempre as quintas a noite do Farol da Barra. Depois conheci o Dimitri em outra ocasião (que não conhecia o Alexandre).

 Levei alguns meses para aparecer no pedal noturno do FLB. Até que um dia o visgo das amizades foi mais forte do que eu e daí em diante sucumbi ao pedal grupal, não deixando entretanto, de dar minhas pedaladas solitárias, o que gosto muito ainda.

 

Uma boa parte da minha vida agora pertence a esse mundo, onde sinto muito prazer em incentivar e ajudar a todos, seja de que modalidade for, isso não importa. Não tenho modalidade,  gosto de pedalar , ver e sentir  a alegria que há muitos é proporcionada através deste esporte maravilhoso, onde nos agregamos a cada dia, a cada momento.

 

Um grande beijos a todos meus amigos de bike, Lucia Saraiva

 

 

 
 
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